História de Buritis

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PRIMEIRAS EXPEDIÇÕES

Por volta de 1612, bandeiras anônimas paulistas começaram a percorrer o rio São Francisco criando o que veio a se chamar de Caminho Geral do Sertão. Nossa história vem desde meados deste século, quando um afluente do rio São Francisco, o rio Urucuia (rio de águas vermelhas) já era caminho de bandeirantes que por aqui passaram com destino a Goiás e Bahia. Presume-se que índios nômades e negros escravos teriam habitado esta vasta região.

As expedições dos primeiros sertanistas com nomes como Matias Cardoso de Almeida, seu filho Januário Cardoso, Antônio Gonçalves Figueira, Domingos Prado de Oliveira e Manoel Francisco Toledo, foram registradas a partir de 1660. Estes homens tornaram-se os senhores do Urucuia ao conquistar a Guaíbas, ilha do São Francisco habitada por índios próximo à foz do rio Urucuia, estendendo domínio sobre toda a região. Outra conquista importante foi a descoberta de ouro em Paracatu no ano de 1744, com Felisberto Caldeira Brant e José Domingos Frois.

Principais Bandeiras – Séculos XVII e XVIII

MATIAS CARDOSO DE ALMEIDA

Matias Cardoso de Almeida foi um bandeirante feroz que herdou a bandeira de seu pai João do Prado e conduziu o grupo de mais de cem bandeirantes para a região média do rio São Francisco, objetivando aprear índios e exterminar quilombos. Esse bandeirante é o responsável por fundar o arraial de Morrinhos às margens do rio São Francisco, por volta 1660. Essa é a primeira povoação duradoura a se estabelecer no território mineiro, apesar de pertencer a capitania da Bahia. Nessa época começam a surgir as primeiras estradas no interior do país destinadas ao comércio de produtos, o que possibilitou a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, tida como a primeira Igreja de Minas Gerais.

Matias Cardoso de Almeida tomou conta de todas as terras que se encontravam acima de São Romão e Januária, localizadas na direção norte e nordeste de Minas Gerais. Ao se estabelecer na região, este sertanista concedeu 80 léguas quadradas destas terras a seus parentes mais próximos, iniciava-se então a colonização da região do São Francisco e do Vale do Urucuia.

Seguindo o curso da história, seu filho Januário Cardoso, mestre de campo no São Francisco, juntamente com Manoel Francisco Toledo, conquistaram a Ilha das Guaíbas em 1668, expulsando os índios Caiapós. Esta ilha recebeu o nome de Ilha de São Romão. Em seguida foi fundado o 2º arraial no imenso sertão, denominado Porto Salgado que viria a ser o município de Januária.

LOURENÇO CASTANHO TAQUES

Outro sertanista que também partiu de São Paulo seguindo as trilhas que as antigas tribos indígenas deixaram do litoral para o interior do Brasil, foi o bandeirante Lourenço Castanho Taques, o moço. Castanho Taques partiu de São Paulo em 1675/1676, atacou e aniquilou os índios Cataguá na região de Araxá e nesta mesma expedição, passou por Paracatu e andou pelas chapadas de Garapuava e Buritis. Hoje, a serra de Buritis leva o seu nome.

Entradas e Bandeiras em Minas Gerais

FAMÍLIA CARDOSO E O “MOTIM DO SERTÃO”

A Capitania de São Paulo e Minas de Ouro foi criada em 1709 e logo depois, em 1720 foi desmembrada em São Paulo e Minas Gerais. No início do século XVIII, a região de Minas Gerias tornou-se importante centro econômico da colônia, com rápido povoamento. De acordo com relatos históricos, Matias Cardoso de Oliveira ocupava a região do Urucuia e grande parte de seus familiares ocuparam outras regiões próximas e vizinhas, como Brejo do Amparo (Januária), Morrinhos, Montes Claros, São Francisco e São Romão.

Enviado pela Coroa Portuguesa como Governador de Minas Gerias, chega ao Brasil o fidalgo português Martinho de Mendonça de Pina e de Proença em 9 de janeiro de 1734  e implanta o sistema de capitação de tributos à Coroa (o quinto), na tentativa de organizar e aumentar a arrecadação dos tributos oriundos da mineração. Nesta época, as leis do sertão eram impostas pelas famílias que aqui chegaram para colonizar esta vasta região e o governo era distante e não dispunha de força, ao contrário dos habitantes locais.

Em 1736 as famílias que dominavam a região do São Francisco se revoltaram contra a cobrança do quinto e viveram um ambiente adverso e malvisto pelas autoridades coloniais. Figura lendária no sertão desta época, Maria da Cruz, juntamente com seu cunhado, Domingos do Prado e seu filho Pedro Cardoso, lideraram o que ficou conhecido como o Motim do Sertão, nome consagrado pela historiografia ao conjunto de protestos que sacudiram o sertão de Minas entre os meses de março e agosto de 1736.

Tidos como líderes na organização desse Motim, Maria da Cruz e seu filho Pedro Cardoso foram presos em 7 de setembro de 1737, Domingos do Prado escapou antes de ser preso. Maria da Cruz foi perdoada em 1739 e Pedro Cardoso foi degredado para a África.

MATIAS CARDOSO DE OLIVEIRA NA REGIÃO DO URUCUIA

Matias de Cardoso Oliveira, filho de Maria da Cruz, instalou-se nas terras do alto Urucuia e ao contrário de seus familiares, aceitou os tributos impostos pelo rei e prestava obediência à Coroa Portuguesa. Após o Motim do Sertão que resultou na prisão de sua mãe e de seu irmão, Matias Cardoso aparece responsável pelo posto militar na região de Urucuia, sendo “esta ribeira a mais populosa e afluente que tem o sertão do rio de S. Francisco”. Foi descrito como a “pessoa que mais zelosa se mostrou” aos serviços, tanto que “no seu próprio pagamento como na cobrança da capitação dos mais moradores” o súdito realizou “com zelo, inteligência e prontidão”.

Desde outubro de 1736, Matias Cardoso estava mais disposto ao partido de seu rei. Em carta chegou a oferecer a sua casa ao capitão dos dragões, José de Morais Cabral, para que descansasse antes de seguir sua viagem para Goiás. O filho de Maria da Cruz ficou pronto a ajudar o seu senhor em qualquer tipo de serviço. Matias Cardoso foi ainda encarregado de fazer a cobrança da capitação no sertão.

Após o Motim, mesmo com o trabalho zeloso de Matias Cardoso de Oliveira na cobrança de tributos à Coroa, a família Cardoso foi acusada de sedição contra o Governo de Minas e nesse mesmo ano (1736), as terras do alto Urucuia foram tomadas do poder desta família e filiadas à sesmaria de Minas. Em 1739 na sesmaria concedida a Francisco Álvares de Carvalho, já era mencionado o Sítio do Burithy. Depois de 1749 essas terras foram concedidas ao Capitão João Pereira Sarmento.

INÍCIO DA COLONIZAÇÃO NO VALE DO URUCUIA

Presume-se que os primeiros habitantes do alto Urucuia chegaram por volta de 1710 e tenham sido parte do grupo dos Piratiningas, grupo de negros rebeldes que perambulavam pela região com costumes africanos, trazidos de São Paulo através das expedições bandeirantes e foragidos em território mineiro.

Com a descoberta de ouro em Minas Gerais em 1693, cresceu progressivamente a penetração de garimpeiros, tropeiros, pecuaristas e aventureiros de toda espécie para o sertão, sobretudo após a descoberta de ouro em Goiás, Paracatu e Mato Grosso nas décadas de 1720/1730. Esse fluxo de pessoas e mercadorias transformou o Vale do Urucuia em trevo de contatos entre as regiões mineradoras do Centro-Oeste e os currais do São Francisco.

Essas relações comerciais, políticas, culturais e até familiares se intensificaram em 1736 com a oficialização por D. João V da Estrada Real Picada da Bahia. Essa estrada ligava Salvador, então capital do Brasil, à Vila Bela da Santíssima Trindade, capital do Mato Grosso, na fronteira do nosso país com a Bolívia, num percurso de aproximadamente 2.630 Km que atravessava o centro da Bahia, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

O Vale do Urucuia era ponto de encontro ou interseção dos vários caminhos ou picadas dessa estrada real por meio do Registro Fiscal de Santa Maria do Paranã, na fronteira entre Formoso e Flores de Goiás e do Registro Fiscal da Lagoa Feia, na divisa Formosa/Buritis, ambos instalados também em 1736. Esses postos de fiscalização serviam para administrar o recolhimento de impostos reais e para controle do tráfego, evitando o contrabando. Há indícios de que muitos mineradores tentaram o garimpo no Vale do Urucuia, mas com o tempo descobriram que o valor da terra estava apenas na caça, na pesca, na pecuária e agricultura.

O sertão Noroeste de Minas foi ocupado simultaneamente pelos vaqueiros que seguiram o curso do rio desde a Bahia e Pernambuco, e pelos bandeirantes paulistas que, movendo guerra ao gentio, fundaram povoados e se estabeleceram, como grandes criadores.(MATA-MACHADO, 1991, p.24).

Na história da colonização de Buritis são citadas também as irmãs vindas de Paracatu, Luzia e Joaquina Aldonso, como responsáveis pela instalação de um porto nas ribeiras do rio Urucuia, no século XVIII.

FORMAÇÃO DO ARRAIAL 

O catolicismo veio de Portugal e entre os bandeirantes e padres surgiram as igrejas com seu corpo eclesiástico, tendo grande influência na formação dos vilarejos do vasto sertão. A primeira igreja de Buritis foi erguida em 1805 por Dom Joaquim Azevedo, na vacância da Diocese de Olinda, Pernambuco e o primeiro vigário foi Timóteo Rodrigues Monteiro, que chegou em 1805 e ficou até 1808. Dizem os mais antigos, que Joaquina de Pompeu comprou e doou parte do terreno que engloba Buritis aos “santos”, no início de 1800. A igreja foi elevada a Paróquia de Nossa Senhora da Pena em 30 de maio de 1815 e o primeiro pároco foi o Padre José de Brito Freire, que ficou de 1815 até junho de 1820.

Em 1825 o arraial também citado como “Freguesia do Burithy” já contava com 582 casas, sendo que parte destas casas estavam concentradas nas fazendas, em razão das primeiras picadas e também por servir de intercâmbio comercial entre Minas e Goiás.  A população já era superior a 2.500 pessoas, ente adultos brancos, crianças, crioulos e escravos. Diante dessa expansão demográfica, o Senhor Antônio Paulino Limpo de Abreu, ilustre ouvidor de Paracatu, resolveu elevar o arraial à vila nesse mesmo ano.

Desde então, Buritis estava condensado no município de Paracatu. Pela história, essa primeira sociedade que aqui viveu nunca ficou sem liderança, em vista da resistência dos párocos, padres locais, bem como juiz de paz, que eram substituídos de tempos em tempos, por escolha do povo.

O arraial desenvolveu-se às margens da Veredinha e conforme registros históricos, de 1831 a 1833 morreram 154 pessoas, vítimas da Hidropsia (doença também conhecida por barriga d’água). Esta região também foi procurada por fugitivos da lei que provocavam a desordem e afugentavam os homens de bem. Na época mais difícil, o povoado ficou com apenas 72 casas de telha, 15 ranchos, a capela de Nossa Senhora da Pena e uma escola, formando 3 ruas. Com o passar dos anos Buritis foi se desenvolvendo e se transformou num excelente ponto de negócio. Lentamente o progresso foi retomado, uma vez que os homens da região não deixaram de trabalhar para fazer com que o arraial voltasse a se desenvolver.

DISTRITO DE BURITIS

Em carta correspondência do Juiz de Paz do Burithy, Thomás Antonio da Fonseca Melo, datada de 11 de janeiro de 1840, Buritis já é citado como distrito de Paracatu. Passou em 31 de maio de 1850 para Morrinhos, depois para Paracatu, em 4 de julho de 1857 foi incorporado à São Romão, voltando para Paracatu em 1858 onde pertenceu até 1923. No ano seguinte, passou novamente para distrito de São Romão até 1943, quando foi transferido para Unaí de 1944 a 1962.

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

A emancipação política veio em 30 de dezembro de 1962 através da Lei nº 2.764. A população comemorou essa importante conquista no dia 1 de março de 1963, quando a instalação se deu através de ato governamental presidido pelo intendente Romeu Gonçalves de Araújo, com a presença do deputado estadual Jorge Vargas, do vice-prefeito de Unaí, Sebastião Versiany, de Frei Pio Bars e da população local. Ao meio dia desta data, deu-se a instalação do município de Buritis e do distrito de Serra Bonita, uma grande e determinante conquista para a população, que aguardava ansiosa esse importante acontecimento.

Romeu Gonçalves de Araújo permaneceu no cargo de administrador de Buritis até 30 de agosto de 1963, data em que João Honorato, primeiro prefeito eleito tomou posse. A primeira eleição foi em 30 de junho do mesmo ano, onde João Honorato Primo e Zé Dentista, ambos do PSD, venceram por uma pequena diferença de votos, os candidatos Pedro Valadares Versiane da UDN e seu vice, Orlando de Souza Prado, do PTB.

A primeira Câmara Municipal foi eleita em 30 de junho de 1963 e empossada em 30 de agosto, composta pelos vereadores Elizeu Nadir José Lopes (Presidente da Câmara), José Pimentel Filho, José Fonseca Melo, Dirceu Francisco Pires, Joaquim Ferreira, Nêgo Fiscal e Antonio Furtado de Almeida.

Assim, estava definida e formada a primeira classe política que compôs os poderes executivo e legislativo municipal, dando início a um novo momento na história do novo município.

Ao longo dos anos, importantes nomes fazem parte dessa história:

Memórias de nossa história:

Os prefeitos:

 

 

O município mineiro tem uma área de 5.219, 469 km², faz fronteira com Goiás e possui em sua extensão uma parte do Planalto Central do Brasil. Está a 240 km da Capital Federal, Brasília e por esta razão Buritis é um dos quatro municípios (ao lado de Unaí, Cabeceira Grande e Arinos) de Minas Gerais que integra a Região Metropolitana do Distrito Federal.

Rodeado por serras, o ponto mais alto é de 1.069 metros, localizado na Serra do Bonito, próximo a cabeceira do córrego Palmeira. Por ser parte da região noroeste de Minas, tem sua vegetação constituída pelo cerrado brasileiro.

Meio ambiente

A fauna apresenta grande variedade de espécies típicas do cerrado e dispõem de muitos recursos ecológicos. O clima do município é o tropical. As águas nascentes na região integram a Bacia do Rio São Francisco, “o Rio da Integração Nacional”.

Os rios Urucuia e o São Domingos são os mais importantes. Além destes, há dezenas de córregos, cachoeiras, rios e ribeirões: os córregos Confins, Barriguda, Passa Três, Ponte Grande, Mangues, Extrema, Cupins, os rios Pernambuco, São Vicente, ribeirão Fetal, entre outros.

Economia Local

A economia local tem por base a agricultura, a pecuária, o comércio local, além de  indústrias de cachaça (Urucuiana) e Laticínios.

Buritis é o terceiro maior produtor de grãos de Minas Gerais. O município é beneficiado pela fertilidade do solo, com uma grande produção de minérios como calcário, grande produção de grãos, soja, feijão, arroz, milho, sorgo, leguminosas, seringueira, banana, café, mandioca, algodão e outras variedades.

A pecuária destaca-se pela produção de gado de corte, de leite e seus derivados. Muitos desses derivados do leite são fabricados pelo Laticínios Buritis, que exporta diferentes tipos de queijos para todo o Brasil e também pela fabricação artesanal, através do pequeno produtor rural. Os bovinos, equinos, caprinos e galináceas podem ser vistos na Exposição Agropecuária que acontece no mês de junho, uma grande festa que recebe milhares de visitantes e aquece o comércio da cidade.

A população distribui-se além da cidade, nos distritos de São Pedro do Passa Três e Serra Bonita. Além dos distritos, Buritis tem sete vilas (Vila Cordeiro, Vila Rosa, Vila Maravilha, Vila São Vicente, Copago, Vila Serrana e Vila Palmeira), além de núcleos de pequenos e médios produtores rurais, bem como por núcleos de colonização, relacionados à Reforma Agrária.

A Cidade

A cidade está dividida em dez bairros:

  • Centro
  • Canaã
  • Veredas
  • Taboquinha
  • Israel Pinheiro
  • Jardim
  • Planalto
  • Estância dos Ipês 1
  • Estância dos Ipê 2
  • Residencial Extrema

NOSSA HISTÓRIA CONTADA POR NOSSA GENTE

O Projeto História de Buritis é desenvolvido pela TV Rio Preto Buritis através de fotos que retratam a história do município e de depoimentos dos nossos ilustres moradores. O projeto tem por objetivo ser um registro, preservando nossa cultura e tradição.

Nestes vídeos realizados com a participação de moradores locais, estão relatos prévios que farão parte do documentário. Confira também o álbum de fotos disponível no site e na nossa página no Facebook.

Confira prévia das entrevistas nos vídeos:

Galeria de Fotos:

Agradecimentos:

Aos colaboradores, Marcilei Farias, Jailson Roberto Mantovani, Melinha Lopes, Marília de Dirceu Lopes Campos, Maria Angélica Gonçalves Lopes, por disponibilizarem fotos e registros da nossa história.

Agradecemos também a Sra. Dália Lopes (em memória), Sr. Délio Prado Lopes (em memória), Sr. Martinho Gonçalves (em memória), Maria Angélica Gonçalves Lopes, Candinha, Lica e Georgeta Prado, Waldir Fonseca, Neusa Durães Fróes, Marilda Prado, José Jurandir Ramos, Rita Maria da Silva Ramos, o Sr. Pedro Taborda, Lindaura Valadares,  Denise Campos Pimentel, o Sr. Zezito Pimentel, Elivani Lopes Santana, Saulo Xavier, Dona Carlota Santana do Prado, Cinira Prado, nossos escritores Napoleão Valadares, Oscar Reis Durães, José Miguel Tiago e família.

Texto: Gilberto Valadares e Lívia Alves.

Roteiro e Fotografia: Gilberto Valadares e Lívia Alves.

Filmagem e Edição: Leonardo Scherer, Lívia Alves, Gilberto Valadares, Paulo Ryan e Pedro Guerra.

Coordenação: Hosana Faria, Gilberto Valadares e Lívia Alves.

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