Me conta um conto: Como não amá-lo?

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A leitura nos leva a mundos diferentes e a um imaginário distante e criativo, impulsionando o senso crítico e a empatia em cada um de nós. Em mais um conto, trazemos hoje aos nossos leitores e telespectadores, as emoções provocadas pelo amor, o mais intenso de todos os sentimentos, tão grande que não cabe dentro do tempo.

Por alguns minutos convidamos você a sair da bolha problemática da vida e ter no seu livre pensamento a construção da cena e dos personagens, tirar do texto um ponto de vista, um aprendizado, como sugerir sua imaginação.

Como não amá-lo?

Soube da sua existência em um final de tarde e no primeiro instante percebi que já o amava com o mesmo amor que amara o primeiro. Marcamos o nosso encontro para 10 de abril de 2002. Eu estava ansiosa para conhecê-lo e os dois primeiros meses passaram rapidamente, agora só faltavam 7 meses para encontrá-lo pessoalmente e acariciar seu rosto angelical e olhar nos teus lindos olhos e declarar amor eterno.

Foi então que uma voz sussurrava bem no meu peito e dizia:

– Você não deve amá-lo mais do que já ama, pois ele não ficará com você.

Pensei que estava enlouquecendo, mas aquela voz era alta e clara. Foi então que me fechei e tentei ao máximo me isentar de viver este novo amor. Mas ele estava ali todos os dias, mesmo que não o via, ele estava lá e isso me causava pavor e temor. E por mais que tentasse fugir deste amor era como fugir de mim mesma.

Deixei que os meses passassem sem querer controlá-los pois sabia que o dia do nosso encontro iria chegar e eu só podia esperar por este momento que deveria ser feliz mas que me causava temor por não saber exatamente o que deveria esperar.

A voz era insistente. Mas como não amá-lo? Eu já estava envolvida o suficiente estava disposta a ficar com ele custasse o que for. Eu passava horas programando o nosso encontro para evitar todos os erros possíveis. A gente conversava por horas.

Enfim, chegou a véspera do dia marcado para o nosso encontro. Arrumei a casa em seus mínimos detalhes e me arrumei também para ficar linda para o dia seguinte. Ainda era noite quando ele fez o primeiro contato. Pedi carona há um vizinho para que me levasse para encontrá-lo. E no raiar da aurora eu fui ao seu encontro temerosa e no momento que ele chegou fechei bem os olhos e perguntei:

– Está tudo bem doutor? Ele respondeu:

– Seu bebê nasceu com alguns probleminhas de saúde, mas ele ficará bem.

O tomei em meus braços e o amei. Por 12 horas estive ali com ele ao meu lado. Ao vê-lo sofrendo e agonizando, o suspendi ao céu e disse para Aquele que falava comigo sempre com uma voz aconchegante:

– Ele está aqui. Se Tu queres pode levá-lo. E no mesmo instante, senti seu último fôlego de vida que pós fim no seu choro incessante vindo de seu sofrimento causado por problemas de má formação.

Esperei por 9 meses para ficar 12 horas com ele em meus braços, mas sei que este tempo valeu a pena para nós dois. Foi o suficiente para amá-lo mais e guardar seu lindo rosto, mesmo que malformado, para sempre em minha memória.

Passados 5 anos, no dia do seu aniversário, passei o dia saudosa e silente. Antes de dormir falei com o Consolador:

– Como gostaria de vê-lo e saber se está bem.

À noite, algo surpreendente aconteceu, um sonho ou uma visão talvez. Um ser celestial pegou-me pela mão e levou-me para lugar lindo. Eu vi muitas crianças sentadas em roda a brincar, contudo meus olhos estavam fitos em um lindo garoto que cantava e batia palma muito sorridente e feliz.

O ser celestial não ousou a dizer nada e eu tampouco, não precisava, eu sabia que era ele pois o amor encheu todo o lugar.

Despertei daquele momento indescritível e as lágrimas havia encharcado meu travesseiro. Alegre segui meu caminho com a certeza absoluta que ele está muito bem e feliz e isso me basta. Em sua breve passagem por aqui Ele me ensinou em 12 horas que o amor não é egoísta e o importante é que o outro esteja bem.

Não é a duração de tempo que se mede a grandiosidade de um amor, mas sim a intensidade!

 

 

 

Cirlene da Silva Lima é licenciada em Letras pela Universidade de Brasília e Bacharelando em Teologia pelo Instituto de Teologia e Educação Gênesis. Atua como professora mediadora presencial do curso em Inglês Básico ofertado pelo Polo Universitário de Buritis em parceria com o IFNMG.

 

 

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